terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

É hora de subir o morro

Morro para mineiro é um assunto comum. Vivemos cercados deles. São as montanhas de Minas que emolduram o pôr do sol, escondem nossas cachoeiras e, dizem, fazem do mineiro aquele ser desconfiado, que olha sempre de cima, e não deixa de olhar para os dois lados para atravessar mesmo em rua de mão única.

E é nas montanhas que o Cruzeiro começa a sua jornada na Libertadores de 2014. Nas montanhas prateadas do Peru a bola rolará para o esquadrão azul, pronto para as batalhas que vão se seguir nas canchas sul-americanas.

O Real Garcilaso, surpresa da Libertadores de 2013, é o primeiro desafio. Os peruanos não poderão jogar em casa, em Cuzco, mas escolheram para mandar o jogo outro estádio que fica na mesma altitude Cuzqueña: 3200 metros.

Então é hora de subir o morro. É hora de Marcelo Oliveira continuar o grande trabalho de 2013 e aproveitar ao máximo o elenco qualificado que tem. É hora do nosso ataque prevalecer e espalhar gols tal qual o Rio da Prata espalha suas águas pelo continente.

É hora do nosso meio campo incorporar o espírito libertador, catimbeiro, duro, das equipes hispanohablantes. É hora da defesa ser firme, sem falhas, e esconder  a nossa meta como os Incas esconderam Machu Picchu, a cidade perdida. É hora de Fábio se transformar em um paredão maior que a Cordilheira dos Andes.

E que nossos jogadores e torcedores não esqueçam: o morro pode ser íngreme, mas, ainda assim, ele nunca será mais alto que as estrelas.

RR

domingo, 2 de fevereiro de 2014

E agora, Eduardo?

Quem vai desnudar os Imperadores do Sertão espalhados pelo Brasil?

Quem vai escancarar as histórias dos Cabras Marcados para morrer em nosso país?

Quem vai abrir as portas dos apartamentos do Edifício Master?

Quem vai descobrir as nossas Canções favoritas?

Quem vai mostrar que vivemos em um eterno Jogo de Cena?

Quem vai destacar o trabalho e luta dos nossos Peões?

Quem vai subir o morro Santa Marta e passar o ano novo no Babilônia?

Quem vai apontar que o brasileiro tem Santo Forte?

Quem, Eduardo?

Quem?

Uma homenagem ao grande documentarista brasileiro Eduardo Coutinho, morto em 2 de fevereiro de 2014.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Que saudade do domingo

Eu sempre ouvi uma história de que a palavra Saudade é uma palavra que só é encontrada no idioma português. Não existe tradução para esta palavrinha em nenhuma outra língua. Até tentam aproximar, mas o verdadeiro significado só nós, patrícios de Camões, somos capazes de expressar.

O que aconteceu no Mineirão, neste domingo, também carece de definições. Foi o segundo jogo do meu time que acompanhei in loco neste ano. A distância acaba por nos impedir de encontros frequentes.  

Volto ao Mineirão. Para as arquibancadas do Mineirão. Tento aqui encontrar uma palavrinha que seja para dar aos amigos a ideia do que foi esse primeiro de dezembro.

Felicidade! Poderia ser esse o conceito, mas não é. Muitos sabem que minha definição de felicidade é muito simples: a felicidade é azul. E no domingo, outras cores se misturaram a esse azul tão feliz: o amarelo das estrelas, o verde do gramado, o branco das traves ...

Loucura! Afinal, “dizem que somos loucos da cabeça ...” e só loucos para cantar 2 horas ininterruptas, seja com o time errando passes ou fazendo uma bela jogada. Loucura, no entanto, ainda seria pouco perto do estado de euforia coletiva constatado no Gigante da Pampulha.

Multidão! Quase 50 mil pessoas. Mais jogadores, mascotes, imprensa ... números grandiosos que poderiam explicar o que até então acho inexplicável. Porém, multidão também se cala, o que já elimina esse verbete da nossa tentativa de definição.

Emoção! Festa! Vitória! Taça! Tudo que eu penso ainda é pouco para explicar as sensações que vivi naquele 119 E5, meu lugar no Mineirão ... Bom, depois dessa discussão toda, acho que só uma palavra mesmo para definir tudo isso: CRUZEIRO.

Um abraço campeão 5 estrelas.

RR

Torcida, jogadores, a Taça ...

sábado, 23 de novembro de 2013

A Caixa

O funcionário preparou a encomenda com cuidado. Escolheu uma caixa grande e forrou com jornal, papel-bolha e isopor. Pegou o telefone e ligou para o seu colega da sala ao lado: “Pode trazer”.

O amigo veio com certa dificuldade. Estava pesado. Tinha medo de arranhar aquele bem tão precioso. Acomodou o objeto na mesa e, com suor no rosto, pensou. “Por que esse negócio não ficou por aqui esse ano? Por que vai para tão longe?”.

O outro colega, percebendo a decepção do amigo, ainda tentou consolá-lo: “Não fica assim ... sei que é difícil, mas quem sabe ano que vem ela não volta ...”. Foram preenchendo cada pedacinho daquele símbolo tão importante antes de encaixotá-la. Quando terminaram, levaram para a recepção do prédio. O carro amarelo apareceu, pegou a caixa e sumiu em meio ao trânsito agitado.

Ao chegar ao setor de triagem, os funcionários separaram aquele grande pacote. Olharam o destinatário. “Deve ser importante ... vai até de avião ...”, comentou um dos empregados. Por via das dúvidas colocaram diversos adesivos de frágil na caixa. 

Caminho do aeroporto. A caixa, devidamente assinalada, tem um lugar especial no carro. Vai no banco da frente, ao lado do motorista, pra não ter risco. Chegada. Embarque. Decolagem. Aterrissagem. Do aeroporto, a caixa é enviada para o centro de distribuição.

O entregador estava de folga. Chamaram então o carteiro mais antigo da agência e perguntaram se ele podia levar aquela encomenda com sua bicicleta. Já era fim do dia. O velho carteiro, mesmo impaciente, aceitou. “Mas é a última de hoje!”.

Pegou a caixa, conferiu o endereço, e acomodou a encomenda em sua bicicleta. No caminho, um pequeno contratempo. A caixa cai e tem um pequeno rasgo. O carteiro, que em todos os seus anos de serviço não havia deixado nada acontecer aos seus envelopes e encomendas, ficou apavorado. Pegou a caixa e tentou ver se não havia quebrado nada. Com muito esforço balançou o pacote e viu que nada tinha acontecido. Conseguiu ver, por aquele rasgo, o que era aquele objeto tão embalado e protegido.

Quando entendeu toda a situação, deu um grande sorriso. Era um privilegiado. Voltou a caixa para a sua bicicleta e foi assobiando o hino de seu clube durante o caminho. 

Chegou ao destino. O carteiro, cumprindo sua missão, entregou a caixa. O conteúdo, como bem identificou o velho carteiro, será entregue no próximo domingo aos campeões brasileiros de 2013. Todos aqueles que possuem cinco estrelas no coração vão estar de alguma forma no Mineirão para recebê-la.

Um abraço campeão 5 estrelas.

RR

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O sétimo dia

Deus, cansado do marasmo, resolveu criar algo novo.

Primeiro criou a terra e seus imensos oceanos. Olhando do alto, viu a beleza que havia acabado de inventar. Aquela sua bola, inundada pelas águas, era de um azul reluzente. 

Não parou por aí. Era hora de criar o céu. Outra pintura. E se é para ficar tão belo quanto a terra, não existe cor mais bonita que o azul. Ainda mais um azul recheado de estrelas.

Criou os animais, as plantas, o primeiro casal de seres humanos e pensou em parar por aí. Ia tirar o sétimo dia para descansar. Esticou os braços, já ia se deitar, quando imaginou: “Por que não criar um jogo? Eu adoro jogos!”. E assim nasceu o futebol. 

Já com as regras em mente, começou a pensar nos onze jogadores do seu primeiro time. No Gol, um arqueiro salvador, sem medo de sair nas bolas, sempre fazendo defesas impossíveis. Resolveu chamá-lo de Fábio.

Para as laterais, o Supremo Ser mesclou a experiência na direita com a aposta na esquerda. Deu aos jogadores os nomes de Ceará e Egídio.

Para a zaga, não teve dúvida. Criou dois monstros. Para assustar pensou em colocar nome composto nos dois. O primeiro foi fácil: Bruno Rodrigo. Já o segundo ficou sem nome durante um bom tempo. Até que Deus desistiu da ideia de um nome muito grande e simplificou: Dedé.

A dupla de volantes deveria ser outro exemplo da mescla entre juventude e experiência. Mas não é por ser volantes que eles não poderiam fazer seus golzinhos. E assim nasceu o guerreiro Nilton e o incansável Lucas Silva.

“Se tudo que fiz até agora foi tão belo, aqui no meio não posso decepcionar”. Foi com esse pensamento que Deus criou Everton Ribeiro e deu a ele o dom de fazer os mais belos gols já vistos na face da terra. 

Ainda no meio, o criador de todas as coisas decidiu por um exemplo. Alguém que pudesse correr os noventa minutos por todos os lados do campo, com a bola ou sem a bola, fazendo gols ou dando caneladas: surgia assim Ricardo Goulart.

O ataque. Oh! O Ataque. Foi aqui que o divino resolveu finalizar com chave de ouro. Eram tantas as ideias que foi difícil criar só dois jogadores, então transbordaram opções: Borges, Dagoberto, William, Júlio Batista, Luan ... o técnico que se vire depois.

E por falar em técnico, a criação não poderia ser mais acertada. Para comandar todo esse talento, o indicado tinha que ter serenidade, vontade de trabalhar e foco: então do pó se fez Marcelo Oliveira.

Porém, Deus viu que aquela equipe era tão boa que resolveu esconder por um tempo a própria criação. Só iria revelar o segredo milhares de anos depois. Colocou em suas escrituras que tinha descansado naquele sétimo dia, tudo para não revelar aquele time. Feliz daquele que um dia torcesse para aquela equipe. Para estes torcedores a Felicidade seria sempre Azul.  

Um abraço campeão 5 estrelas!

RR

domingo, 10 de novembro de 2013

Thiago, o matemático

Thiago acabou de fazer seu doutorado em matemática aplicada. Feliz, com seu diploma debaixo do braço, tirou a semana para se dedicar a sua outra paixão além dos números: o Cruzeiro.

Depois da vitória contra o Santos, a possibilidade de ser campeão no próximo jogo era real. Era só somar alguns pontos e torcer para que outro time não adicionasse três pontinhos. Assim, ao querer fugir dos números, Thiago se viu ainda mais envolvido com eles. O matemático estudou todas as possibilidades. Elevou números ao quadrado, tirou raiz de outros tantos, dividiu, multiplicou, adicionou, subtraiu ... era verdade. O time podia ser campeão no domingo.

Foi recheado de numerais que ele foi para o Mineirão. Via sua ansiedade se multiplicar durante o trajeto, feito de ônibus. Dividiu com os companheiros de viagem as inúmeras histórias já vividas com o Cruzeiro. Adicionou mais contatos ao seu celular ao mesmo tempo em que via diminuir a memória do aparelho à medida que ia tirando dezenas de fotos do Mineirão, todo em azul.

Decidiu que, ao entrar no estádio, desligaria qualquer aparelho que pudesse informar sobre o resultado de qualquer outro jogo. Sabia que seria impossível, afinal, sempre teria um torcedor mais exaltado a narrar a outra partida.

Começa a partida. Thiago está atrás do Gol defendido por Fábio. É de lá, de longe, que vê o primeiro gol do Cruzeiro. Vibra. Canta. Comemora. O Grêmio pressiona. Fábio defende. Defesa espana. Fim do primeiro tempo. Metade do sofrimento. Hora de beber aquela água, ir ao banheiro, tentar relaxar. 

É no caminho para o Bar que vem a má-notícia: a outra equipe, no outro jogo, está vencendo por 2 a 0. A notícia que Thiago não queria ouvir. O matemático entra no banheiro, sozinho. Está cabisbaixo. Pensa como os números podem ser tão cruéis a ponto de estragar aquela festa tão bonita. Pensa como pode ter se dedicado tanto a uma ciência que pode ser tão má. Decide não voltar para assistir ao segundo tempo.

Aí começa a acontecer algo que Thiago não entende. Um som indecifrável começa a percorrer os espaços do Mineirão. A torcida, ensandecida, está gritando a pleno pulmões. São as músicas tradicionais, o hino do time, os nomes dos jogadores. Thiago ainda assim não quer mais voltar para a arquibancada. Precisa viver aquele momento sozinho. Outros dois gols do Cruzeiro. O Mineirão começa a tremer. O estádio parece mostrar para Thiago que o ímpeto da torcida muitas vezes é mais forte e bonito que qualquer equação, por mais perfeita que seja. 

Os sons só aumentam, e Thiago ouve um estrondoso “É Campeão”. Como pode? Como uma massa de 60 mil pessoas pode contrariar a matemática? E naquele momento Thiago viu que estava em um dilema: Voltar e comemorar o título ainda não confirmado ou respeitar sua “mestra” matemática, tão cruel, fria e racional? 

Resolveu voltar para junto dos torcedores. O juiz acabava de soar o apito final. Thiago comemorou como nunca aquela vitória. É bem verdade que não gritou “É Campeão”. Ainda respeitava a ciência. Mas foi ali que ele entendeu que poucas coisas nesse universo podem ser racionais. Infelizmente uma delas são os números. E felizmente o torcedor de futebol não é uma delas.

Um abraço 5 estrelas!

RR

domingo, 3 de novembro de 2013

As traves da Vila

Fim de jogo na Vila Belmiro. As luzes do estádio vão se apagando e o porteiro, último a deixar o local, tranca o portão que dá acesso ao gramado. É na escuridão do Urbano Caldeira que começa um diálogo animado entre as duas traves, essas, sem direito a descanso, sempre prontas para receber as redes e acompanhar as partidas:

Trave 1: É companheira, jornada tranquila hoje hein?

Trave 2: Tranquila? Você porque não viu o aperto que passei aqui no segundo tempo ...

Trave 1: Bom, não posso reclamar. O nosso Santos hoje não me deu trabalho nenhum. Tem hora que esquecia que estava acontecendo jogo. Parecia aqueles treinos de “meio campo”.

Trave 2: Ah, você esta aí relaxada. Mas do lado de cá o pessoal de azul não perdoou.

Trave 1: Por falar em azuis, que time é esse? Quanta correria, passes rápidos ...

Trave 2: E nós que estamos acostumados com golaços de um famoso camisa 10 ...

Trave 1: Hoje você viu golaço de outro 10, né?

Trave 2: O cara saiu driblando lá de trás, um, dois, três, quatro ... as traves lá do Mineirão já tinham avisado que o menino é o cara dos golaços. Parece que já tem até placa.

Trave 1: Na Bahia também teve golaço desse cara ...

Trave 2: Então ele guardou um para fazer no lugar certo. Fico até feliz. A Vila mais famosa do mundo. Do Pelé. Do Pepe. Também merece receber essas pinturas.

Trave 1: Bom. Pelo visto o campeão brasileiro está definido. Não deu pra gente. Nem tirando o Montillo deles ...

Trave 2: Ah. Ano que vem tem de novo. Neste ano, o mar não está para peixes. Está para raposas.

Um abraço 5 estrelas

RR

domingo, 27 de outubro de 2013

O Casamento

Ih, a noiva atrasou. A prática, quase comum em todos os casamentos, dessa vez ia fazer com que eu não pudesse acompanhar o jogo do Cruzeiro. O negócio era esperar o casamento acabar para pegar o celular e começar a ouvir o jogo contra o Criciúma.

Acaba o casamento. O jogo já deve estar perto dos 20 minutos. Pego o celular, ligo e peraí ... sem sinal de internet?!? Como fazer para acompanhar o jogo? Já sei, vou mandar um SMS para Deus e o mundo! Vou acompanhar a partida pelas mensagens recebidas.

E a primeira, lá de casa, não poderia ser melhor. Dois a zero para o Cruzeiro. Já posso me tranquilizar. Pelo visto o time está bem. Impossível não lembrar do jogo contra a Portuguesa quando abrimos 4 a 0 logo no primeiro tempo.

Aí começam as mensagens de um amigo gremista: “Jogão no Mineirão”. Jogão? Será que o Cruzeiro está jogando bem que até o principal concorrente ao título está admirando? Que nada! “Criciúma virou para 3 a 2”. Não acredito. Aquela tranquilidade do parágrafo anterior desaparece. “Acabou o primeiro tempo”.
É óbvio que a festa do casamento fica em segundo plano. E esse segundo tempo que não começa? São 15 minutos sem mensagens. O Cruzeiro acomodou? Foi justa essa virada? Quantas perguntas para poucos caracteres ...

Segundo tempo. “Expulsou um do Criciúma”. Ufa. Agora é ir pra cima de vez. Uma nova derrota em casa, para um time do Z4, não pode.  “Imagina minha aflição”, respondo para os meus narradores.
“3 a 3”. Explodo. Bato na mesa. Que jogo! Agora é nossa hora de “desvirar” isso aí. Mais alguns minutos sem mensagem. E a próxima que vem é uma maravilha: “4 a 3 Cruzeiro”. No instinto, respondo: “Acaba juiz”. Pelo visto não fui atendido. O jogo não acaba.

“Cruzeiro pressionando”, “Pênalti  para o Cruzeiro”, “5 a 3”. Ufa! Agora sim. Se bem que não sei quantos minutos faltam ... gato escaldado tem medo de água fria. E aquela virada do primeiro tempo?

Por que ninguém manda uma mensagem falando que acabou o jogo?  Chega de sofrimento. Mensagem, alguma mensagem, por favor. “Ufa. Terminou” manda o pessoal de casa. “5 a 3. Juizão operou o Criciúma”, informa o meu amigo gremista. “5x3 pra gente!! Rumo ao tri a passos largos! Zeeeeeeiro”.  É com essa mensagem que vou curtir a festa. Será que dá pro DJ tocar o hino do Cruzeiro?

E a relação com o nosso time azul-estrelado é assim: na alegria e na tristeza, com internet ou sem internet, no 3 a 2 ou no 5 a 3.

Um abraço 5 estrelas

RR

Felicidades ao casal: Marina Domingos e Roberto Marcos!

domingo, 20 de outubro de 2013

Marcelo, o técnico campeão

- Enquanto o time de futebol dava um tropeço na íngreme subida rumo ao título brasileiro a equipe de vôlei azul-estrelada conquistava o mundo.

O Cruzeiro é campeão. Do mundo. A equipe de vôlei cinco estrelas bateu os russos e conquistou pela primeira vez o título mundial de clubes para o Brasil. É mais uma importante conquista para o vôlei mineiro, celeiro de tantos talentos para este esporte, terra do Minas Tênis Clube, um dos mais tradicionais clubes do esporte nacional.

A jornada do Sada/Cruzeiro até este título é digna de aplausos. Comecei a acompanhar o trabalho da equipe quando ainda era Sada/Betim. A junção do Sada com o Cruzeiro gerou uma das forças do esporte nacional. Já são três finais de Superliga, sendo que em uma delas veio o caneco. Campeonatos mineiros. “Libertadores” e agora o Mundial.

E todo esse histórico de conquistas passa pelas mãos e cabeça de um argentino. Marcelo Mendez achou nesta caminhada uma base sólida para a equipe, com os pilares William, Filipe, Wallace, Douglas e Serginho. Outros nomes importantes passaram pela equipe, outros chegaram em 2013 e o argentino vai, ano após ano, colocando a cor azul no topo dos campeonatos.

Marcelo Mendez tem uma bela leitura de jogo. Sabe trocar as peças, motivar o jogador que está no momento difícil, pedir para forçar ou segurar o saque quando o momento pede. Tudo isso de forma serena e tranquila. Talvez por isso a efusiva comemoração de Marcelo ao final do jogo que lhe deu o título neste domingo tenha sido meio surpreendente. 

E daí? Você merece Marcelo! Você é campeão do mundo! Você ajudou a construir mais uma página heroica imortal! Obrigado!

Concluindo, se não foi dia de futebol, de trazer três pontos do Alto da Glória, do Sul do País, nosso domingo fica com um saldo superpositivo de mais uma estrela dourada conquistada pelos guerreiros do vôlei para a nossa constelação. Afinal, de estrelas a gente entende.

RR

*Quero deixar aqui um abraço especial para o campeão mundial Henrique Furtado, componente da comissão técnica do Cruzeiro. Henrique foi técnico do esquadrão de vôlei da Associação Atlética Acadêmica LUVE, Liga Universitária da Universidade Federal de Viçosa, durante o tempo em que fui da diretoria da associação. Valeu Henrique!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Sobrenatural Azul

Caro companheiro Nelson Rodrigues,

Certamente, seja lá onde você estiver, deve ter acompanhado a partida entre o Cruzeiro e o seu tricolor. Não sei qual a sua opinião, por exemplo, sobre a nova camisa do seu tricolor. Suponho que você não tenha gostado muito da novidade.

Bom, assuntos de camisa à parte, voltemos aos acontecimentos do Mineirão. O jogo dessa rodada tinha, para o Cruzeiro, alguns dos ingredientes que juntos podem transformar qualquer partida em um barril de pólvora prestes a explodir.

Derrotas seguidas, artilheiro em má-fase, defesa desfalcada, torcida mineiramente desconfiada ... No entanto, com a sua tendência à tragédia, sei que você já sabia que a situação era propícia para uma grande epopeia.

Seu Fluminense teve as grandes chances do jogo, é verdade. Com goleiro, sem goleiro, na pequena área, de carrinho, de todas as formas possíveis. Mas hoje o Sobrenatural estava mais azul do que nunca. Aquele artilheiro desacreditado teve uma única chance no jogo: Gol. A defesa que vem falhando encontrou em Fábio sua fortaleza debaixo das traves. A torcida, por ora desconfiada, voltou a assistir uma vitória em seus domínios.

É, caro Nelson. Ainda que Cruzeiro e Fluminense estivessem jogando até agora, os deuses do futebol impediriam qualquer chance de balanço das redes azuis.  Foi assim também no primeiro turno. Naquela vez os agraciados com a benção divina foram os tricolores. Hoje era nossa vez.

E não adianta ninguém tentar me convencer que, mesmo com o tamanho número de chances perdidas, o Fluminense tenha merecido a vitória. Se as imagens provam isso, pior para as imagens. Nos meus pensamentos, o carrinho de Borges, com a bola vagarosamente estufando as redes e as defesas de Fábio são as mais belas e vívidas imagens desta partida. Mais até que a cor do uniforme de seu time.

Um abraço cinco estrelas.

RR

domingo, 2 de junho de 2013

Carta ao Pai

Joãozinho decidiu que não iria assistir ao jogo. E nem ouvir. Desligou o rádio e pegou uma folha em seu caderno. Estava decidido a deixar de lado uma de suas maiores paixões: o Bahia. Não que fosse mudar de time, não é isso. Iria abandonar o gosto pelo futebol. Mas como falar para o seu pai, torcedor fanático do tricolor, aquela sua derradeira decisão?

O negócio era escrever. Uma carta seria o modo menos traumático para contar. Encostou a porta do quarto para não ouvir a TV, sempre em volume máximo, na qual o pai acompanharia o jogo deste domingo. O adversário: um dos candidatos ao título, o Internacional, fora de casa.
Joãozinho respira fundo e pega seu lápis e começa a escrever:

“Papai,

O senhor sabe o quanto eu sou apaixonado por futebol e muito dessa paixão se deve ao senhor. Quantos jogos do Bahia já assistimos juntos? Quantas vezes você já me falou sobre o esquadrão campeão de 1988, passando por times tradicionais como Flamengo, Cruzeiro e Santos? E o campeonato de 1959, o primeiro brasileiro? Você sempre me deliciou com as histórias do vovô sobre aquela histórica conquista ...

Pai, tudo isso faz parte da minha história e serei eternamente grato. Porém, a atual situação do tricolor baiano esta me machucando demais, pai. Primeiro, aquelas mortes na Fonte Nova. Como tricolor, senti que um pedaço da minha paixão foi junto com a vida daqueles torcedores. E hoje nem falamos mais nisso ...

Agora, nesse ano, é humilhação atrás de humilhação. A Fonte Nova, nossa gloriosa casa, deixou de fazer a diferença. Fomos atropelados pelo nosso maior rival em diversas vezes. Os meus amigos de escola até pararam de me zoar, imagino que por pena.

Somos um time sem presente. Já se vão as primeiras rodadas do brasileiro e nada de vitórias. Estou escrevendo esta carta no momento do jogo contra o Internacional. Já ouvi diversos gritos do senhor. Provavelmente estamos sendo goleados. Tudo bem. Está ficando comum ...

Então pai. A minha decisão, difícil decisão, é essa: abandonar o futebol. Nunca iria trocar de time. Mas sepulto aqui essa minha paixão. Por obrigação, o senhor teria que ser o primeiro a saber. Não falarei mais sobre o nosso tricolor, não lerei jornais, não escutarei as rádios em busca da escalação do próximo jogo.

É um triste fim. Mas tem que ser assim.

Joãozinho”

Joãozinho, trêmulo, dobrou a carta que acabara de escrever, abriu a porta, e foi caminhando lentamente até a sala. Seu pai gritava os mais diversos palavrões. O menino imaginou “mais uma goleada, ele vai entender”. Quando chegou para entregar o papel, seu pai nem titubeou:

- Ganhamos, meu filho. Ganhamos a primeira. Agora vai.

Joãozinho incrédulo, ainda perguntou:

- Ganha ... Ganhamos? De quanto?

- 2 a 1 meu filho. Agora a gente sai desse buraco ...

E os dois se abraçaram, envoltos na gigante bandeira tricolor que tradicionalmente o pai segurava em todo jogo. A carta que deveria selar o destino da paixão futebolística de Joãozinho se transformou em um punhado de confetes, jogados ao alto para celebrar aquela vitória.


Pai e filho cantaram em uma só voz: “Somos da turma tricolor ... ninguém nos vence em vibração ...”

sábado, 1 de junho de 2013

O sonho de Riascos

“Isso. Já vamos começar a sentir a pressão quando estivermos no nosso ônibus, indo pro jogo. A cidade está mobilizada. A escolta policial não vai impedir os gritos, os xingamentos, as ofensas dos torcedores. Tudo bem. Futebol é assim mesmo. Lá no México eles devem ter sofrido também. Já passamos por isso em São Paulo e conseguimos vencer.

Aqui parece que vai ser bem mais difícil. Aquele gol no finalzinho que sofremos em casa pode fazer falta. Se bem que não temos nada a perder. São só seis anos de vida. Eles tem mais que 100. A responsabilidade é toda deles.

Descemos do ônibus. E esse povo todo de máscara? E que máscara é essa? Morte? Pavor? Terror? Que clima é esse? Ah, deixa pra lá ... no México também tem o festival dos mortos. Acho que estamos acostumados. Não vai ser um punhado de máscaras que vai atrapalhar nosso objetivo.

Começa o jogo. Vamos atacar. Contra time que vai pra cima não adianta ficar na defesa. Qual seria o roteiro perfeito? Já sei. Primeiro fazemos um gol e o juiz anula. Só para dar um susto na torcida. Atordoados, os jogadores deles estão perdidos em campo. Aproveitamos. Um companheiros faz bela jogada pela direita. Cruza. Pego de primeira. Golaço! Logo na primeira etapa. A torcida, angustiada, diminui os gritos. Posso ser o herói da noite.

Agora é catimbar, segurar a bola e quem sabe fazer mais um golzinho. Final do primeiro tempo, levamos a vantagem para o intervalo. Não, peraí ... para aumentar o drama, tomamos um gol antes do descanso. Um gol de canela, pra ficar bem dramático. Final dos primeiros 45 minutos.

O placar é deles. Precisamos marcar mais um. Ainda vou ser o herói dessa noite. Ou não. O time deles não consegue chegar ao gol. Nossa defesa está bem. E a defesa deles, tão segura, ainda está falhando bastante. Opa, falha do lateral e do zagueiro. A bola sobra limpa para um companheiro. É só fazer. Bem, que tal se o goleiro deles defendesse? Só pra dar mais dramaticidade? Isso! Grande defesa do goleiro. Esse foi o seu grande momento no jogo. Chega.

Continuamos amarrando o jogo e procurando o gol salvador. Trinta ... trinta e cinco ... quarenta. Agora eles aparecem com perigo. Podem matar o jogo. Mas é hora do nosso goleiro nos salvar. Quarenta e cinco. Isso, esse vai ser o desfecho perfeito. Um zagueiro dá um balão pra frente. Nosso atacante, rápido, se adianta ao zagueiro. O marcador, ansioso, comete o pênalti.

Agarro a bola. É a minha chance de ser o herói. São poucos metros entre a bola e o goleiro. O lado do campo em que vou bater o pênalti é o oposto ao da torcida deles. Um “pouquinho” menos de pressão. Quarenta e seis e os jogadores deles ainda reclamam. Pelo jeito vai ser o final perfeito. Bato, marco e o juiz termina.

Mas bato aonde? Já sei, no canto direito baixo do goleiro. Sempre bato ali, porque mudar? Se bem que ele pode ter visto vídeos da minha cobrança. Vou mudar. Vou no lado esquerdo. Não ... insegurança demais. Posso bater fraco. Não estou acostumado. Já sei, bato no canto direito, mas no alto. Mas ... e se subir demais? Aí a trave, grande amiga do goleiro, resolve atrapalhar. Já sei! No meio. Todo goleiro pula pra algum canto. Vou bater no meio. Vai ser consagrador.

Quarenta e sete. Agora sim. Todos fora da área. Só eu, a bola e o goleiro. O juiz apita e ... ”


Din Don. Atenção passageiros, em instantes pousaremos em Belo Horizonte ...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Se Celso Roth fosse um personagem da Disney ...



... as produções cinematográficas que encantaram e ainda encantam o público infantil seriam mais ou menos assim:

- O pequeno Volante
Na distante Oceania, Celso encontra o jovem Argel, um volante com classe, que tenta se meter no ataque mas acaba sempre ficando na banheira. Argel impressiona em jogos com dias chuvosos.

- O Volante de Notre Dame
Baixinho, meio corcunda, mas com raça. Celso traz da França o volante Quasí, que estava abandonado em um time de coroinhas da Igreja de Notre Dame. Além da marcação (e dos carrinhos), Quasí espanta os adversários por sua aparência “original”.

- Celso Roth e os Sete Volantes
Em um campo de futebol muito distante, o pequeno técnico Celso Roth encontra sete criaturas adoráveis que formarão a base de seu time no campeonato do castelo. A única preocupação de Celso são as bolas aéreas ...

- O Volante adormecido
Celso encontra Belo, um volante grande, com classe, mas que vive dormindo em campo.

- Celso Roth no país dos Volantes
Depois de acordar de um sonho, Celso se vê em meio a criaturas estranhas. Mas logo se acalma e começa  a gostar daquilo tudo. “São todos volantes!”, ele exclama. Um deles, de nome Coelho, impressiona pela velocidade.

- O Rei Volante
Em busca de novos talentos, Celso faz um safári pela África. Lá encontra o mais novo integrante de seu time: Timba. Um volante que ri na cara do perigo mas pode comprometer o time se levar a cabo uma tal filosofia “Hakuna matata” e esquecer os problemas do meio de campo.

- Os 101 volantes
Um paraíso. Foi assim que Celso definiu este centro de treinamento infantil especializado em volantes. Eram 101. Um deles, Pingo, é o líder da turma e promete ser um volante mordedor, um verdadeiro farejador de adversários em campo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É ela?

Só nesses últimos dias, diante do perigo de te perder, que comecei a pensar mais seriamente em toda nossa história. Não sei como ficaria tudo se você não aparecesse mais. Afinal foram tantos momentos juntos, tantos apuros, tantas alegrias ...

Estava aqui tentando me recordar o momento exato em que te vi pela primeira vez. Confesso ... não me lembro. Mas o ano em que nos aproximamos de fato foi 2008. Foi a minha mãe que me apresentou a você. Ela viu que você era a minha cara e não teve dúvidas. Foi um presente e tanto.

A partir daí as histórias começaram. A primeira delas, possivelmente a mais marcante, foi a viagem para a França. Naquela fria garoa de Paris, caminhando sem rumo, só apreciando a beleza da cidade-luz, você estava ali junto a mim, tentando manter em meu corpo o calor que só meus olhos sentiam naquele caldeirão cultural.

De volta ao Brasil, continuamos sempre lado a lado, seja em Viçosa, seja em São João del-Rei. Lembro-me daquele dia em que você fez questão de estar presente em uma foto que eu estava tirando com minha irmã. A foto ficou tão bonita que até hoje está em um porta-retrato lá de casa. Aliás, a foto foi tirada durante um show no parque de exposições ... e quantos shows já curtimos juntos.

Outras viagens vieram ... Foz do Iguaçu, Nova Iorque, São João del-Rei e claro, você veio comigo para Brasília. Aqui já passamos bons momentos juntos, embora nos últimos tempos só tenhamos nos encontrado quando o tempo está meio frio ou chuvoso ... coisa difícil no planalto central.

Mas nas últimas semanas tive medo. Medo de ter te perdido para sempre. Era praticamente uma parte de minha história que seria levada. Tentei ir te encontrar na data que combinamos, mas você não estava lá. Fui insistente. Na mesma semana ainda voltei por duas vezes ao mesmo local para tentar pelo menos te ver e nada ... quando tomei coragem de perguntar aonde você estava, a pessoa que me respondeu deu dois telefonemas e disse que você estava a caminho. Esperei ... mas você não veio.

Estava perdendo as esperanças. Seria hora de trocar você? Depois de tanto tempo? E você ia sumir assim? Sem nenhuma explicação? E ninguém ia fazer nada em relação a isso?

Voltei então ao local combinado, aquele em que te deixei da última vez.  Já não havia grande expectativa. Mas então meus olhos puderam te ver novamente. Ainda estava longe, mas para certas coisas, nem toda distância do mundo atrapalha o reconhecimento. Aproximei ... esbocei um sorriso. Perguntei então a uma moça encostada no balcão: “É ela?”. Percebendo minha apreensão, a moça fez um sinal positivo com a cabeça.

Mal pude acreditar. Você estava de volta. Limpa, pronta para ser usada novamente. Minha jaqueta Adidas preta! Não ia ser uma lavanderia organizada que ia terminar com nossa história.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oscar 2012

É uma safra respeitável de filmes. Os nove filmes que concorrem ao Oscar de melhor filme apresentam estilos para todos os gostos: drama, comédia, filme mudo, infantil (se é que podemos chamar “Hugo” de infantil), guerra ... enfim, um mix que, acredito, representa um extenso universo dentro do cinema.

Tentei colocá-los aqui na minha ordem de preferência. Missão difícil. Por não ser exatamente um “expert” em cinema, posso ter cometido algumas injustiças ou supervalorizado algum filme por causa de gosto particular. Vamos lá:

1 - O Artista

A ousadia em fazer um filme mudo em época de 3D já é louvável. Fazer o mesmo filme em preto e branco em uma época de telas que mostram milhões de cores é outro mérito. Reunir a estes aspectos técnicos uma ótima história faz de “O Artista” o grande favorito para o Oscar, com toda justiça. O filme mostra o declínio de um astro do cinema mudo a partir da chegada do som ao cinema. Jean Dujardin, o ator que interpreta esse astro decadente, deve levar o Oscar de melhor ator. Para fazer justiça ao belo filme só faltou uma indicação ao Oscar: melhor ator coadjuvante para o cachorrinho Uggie, um espetáculo a parte nessa bela obra.

2 – Hugo

Ainda não entendi por qual motivo colocaram o nome em português de “A invenção de Hugo Cabret” neste filme. Bom, eu pelo menos não vi “invenção” nenhuma durante o filme. Mas esse erro de tradução não tira o brilho da obra, longe disso. Hugo é uma demonstração de amor ao cinema do diretor Martin Scorsese. O menino Hugo Cabret, órfão, vai viver em uma estação de trem em Paris. Lá, é o responsável pelos relógios. Enquanto não deixa os ponteiros se atrasarem, Hugo ainda tenta consertar um autômato (um boneco ativado quando se dá cordas, como um despertador antigo) que foi deixado pelo seu pai. A busca pelo conserto do objeto acaba revelando uma grande surpresa, momento no qual praticamente começa um novo filme. Outra obra de “declaração de amor” ao cinema, Hugo, que foi o filme com mais indicações (11), vai enfrentar “O Artista” em praticamente tudo, o que pode fazer com que o filme leve poucos prêmios.

3 – Moneyball – o homem que mudou o jogo.

O legal de se retratar no cinema histórias reais é que nem todas elas têm finais exatamente “felizes”. Para quem gosta de esporte e vê o atoleiro no qual estão vários dos clubes brasileiros (não só no futebol, mas em todos os esportes), o filme Moneyball chega a ser quase obrigatório. Por gostar de esporte, gostei do filme. Brad Pitt, concorrente a melhor ator, interpreta um gerente de um time de Baseball que não tem um grande orçamento. Precisa se virar para montar uma equipe competitiva um ano depois de um vice-campeonato que acabou por desmanchar o time, já que as equipes mais poderosas levaram seus principais astros. A pressão é que o time conquiste o título. O gerente encontra então um recém-formado em economia (isso mesmo, economia!) para auxiliá-lo neste trabalho. Será que isso deu certo? E afinal, o que é “dar certo” nessa situação?

4 – Meia Noite em Paris

As imagens iniciais do filme Meia Noite em Paris, do diretor Woody Allen, já valem boa parte do filme. Paris é retratada no que tem de melhor: ela mesma ... seus monumentos, suas vielas, suas praças e suas construções. O que segue é uma bela história de um escritor apaixonado pela cidade que, ao toque dos sinos (Meia Noite, claro), volta no tempo e encontra-se com muitos artistas pelos quais ele é apaixonado. O que eu mais gostei no filme é o modo como essa viagem no tempo é feita. Nada com muita explicação, nada muito fantástico, mas algo singelo, pois, já que estamos falando de algo aparentemente impossível, para que complicar?

5 – Tão forte e tão perto

Enciclopédia. Acho que quem nasceu em fins da década de 90 (parece longe ...) não deve nem saber muito bem o que é isso. Mas eu fiz muitos trabalhos escolares pesquisando na biblioteca da escola e chegamos até a comprar uma Enciclopédia Larousse lá para casa. Gostava de desenhar as bandeiras dos países, colecionar cartões telefônicos, figurinhas de chicletes . Essa é uma pequena introdução para falar o quando eu gostei de “Tão forte e tão perto”. A história é a de um menino que perde seu pai nos atentados de 11 de setembro de 2011. Ele, que era muito ligado ao pai, começa então uma busca pela cidade de Nova York. Enquanto vivo, seu pai, interpretado por Tom Hanks, vivia propondo desafios ao filho, incentivando-o a pesquisar, ler livros, fazer mapas (tudo isso que o Google faz pelos estudantes hoje em dia). Ele morre e deixa um envelope com uma chave. O que será que essa bendita chave abre? É o que o nosso personagem principal deseja saber.

6 – Histórias Cruzadas

O filme Histórias Cruzadas é um drama com pitadas de comedia. Algumas críticas apontam o filme como racista, simplificando a visão do episódio nele retratado, as babás negras que cuidavam dos filhos dos brancos americanos nas décadas de 50 e 60. Bem, discussões a parte, o filme em alguns momentos é um “soco no estômago”, principalmente na representação clara do preconceito em relação aos negros existente nos Estados Unidos naquela época. A saída para a história é a confecção de um livro por uma jovem jornalista, que foi criada por uma negra, e pretende desvendar os apuros por quais passam essas empregadas.

7 – Árvore da Vida

Pode parecer estranho, mas é o filme mais bonito em relação às imagens, ficando a frente de Meia Noite em Paris. A história, com poucos diálogos, é baseada nas lembranças de um adulto. O ponto de partida é a morte de seu irmão, quando ele ainda era criança, e a partir desse fato, ele começa a indagar sobre questões existenciais do tipo “porque ele morreu?”, “qual a lógica da vida?”, “de onde vem o universo, como tudo isso começou?”. Neste ponto o filme faz um passeio por toda a história do universo, do Big-Bang aos dias atuais, mostrando a evolução do planeta, os primeiros seres, os dinossauros, a natureza, sempre com imagens belíssimas. Por fim, as imagens remetem à relação do menino com seu pai, sempre autoritário, e com sua mãe, sempre amorosa. O menino vive atordoado com essas presenças tão antagônicas e carrega isso até a sua vida adulta, enquanto ainda busca respostas para aquelas perguntas tão simples, mas com respostas praticamente impossíveis.

8 – Cavalo de Guerra

Filmes sobre a segunda guerra existem aos montes. Já sobre a primeira não são tantos assim. Cavalo de Guerra mostra a paixão de um jovem por um cavalo, paixão essa que resiste a todas as agruras da primeira guerra, sejam os saques, as trincheiras ou as batalhas. O filme é um dramalhão. O cavalo do filme, Joey, se comporta como um verdadeiro super-homem (ou super-cavalo), e acho que existe uma vontade imensa de sempre fazer o espectador se emocionar, preocupação maior do que as histórias do filme em si, já que o filme “seco” poderia ser contado em pouquíssimas palavras. O destaque fica para as imagens, principalmente as que mostram as trincheiras, artifício amplamente usado no primeiro conflito mundial.

9 – Os descendentes

George Clooney é um dos fortes candidatos para o Oscar de melhor ator. E o filme “Os descendentes” só vale pela boa atuação de Clooney. Realmente não gostei, principalmente em comparação com os demais filmes. A história gira em torno de dois conflitos básicos, o coma da esposa de Matt (Clooney) e a venda de uma área paradisíaca que foi deixada como herança para Matt e seus primos. Essas duas tramas vão se entrelaçando enquanto Matt ainda tem que lidar com os problemas de suas duas filhas e de um amigo de uma delas que aparece e desaparece da história sem mais nem menos ... uma história que pretende ser reflexiva mas se enrola em meio a tantos micro-conflitos criados.